A corrupção presente nos governos brasileiros sempre foi um assunto muito recorrente nos jornais, na televisão e em outros meios de comunicação. Entretanto, a decisão tomada pelo presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ) na quarta-feira, dia 19 de agosto, chocou a todos. Duque arquivou as últimas sete acusações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acusado de tráfico de influência, ocultação de informações à Justiça Eleitoral e responsabilidade pelos atos secretos. Ele alegou que as matérias não apresentavam evidências que justificassem a abertura de uma investigação contra Sarney ou Renan Calheiros.

As acusações contra Sarney foram realizadas por membros de outros partidos. Seis denúncias foram analisadas em bloco pelos integrantes do Conselho, quatro apresentadas pelo líder do PSDB Arthur Virgilio (AM) e duas em conjunto por Virgilio e Cristovam Buarque (PDT-DF).

O Grêmio da Escola Comunitária de Campinas acompanhado pelo núcleo de História propõem uma ação conjunta para demonstrar o quanto estamos insatisfeitos com a atual situação do governo do Brasil. Para isso, a Comunitária propõe que na quinta-feira, dia 3 de setembro, todos os alunos vistam uma camiseta preta e fiquem um minuto em silêncio em nome do nosso país. Essa atividade está sendo proposta para que os alunos tenham a possibilidade de parar e refletir sobre o que está ocorrendo no sistema de governo brasileiro. Ela servirá como uma mola propulsora para que os alunos possam entender, analisar e até mesmo criticar essa circunstância atual.

Essa proposta não se baseia apenas nesse evento. Ela é um processo composto não só por esse movimento, mas também por uma redação sobre o assunto escrita pelos alunos do Ensino Médio – cartas que temos o objetivo de enviar ao Senado – e uma discussão filosófica sobre um texto referente à política.

É necessária uma ampliação na visão analítica e crítica dos alunos, para que eles possam ser capazes de analisar mais profundamente situações complicadas – como, por exemplo, o caso Sarney (que, infelizmente, não é o único) – e para que, desta forma, uma atitude efetiva e concreta seja tomada. Podendo até mesmo, trazer uma mudança e/ou uma melhoria para o nosso país.

31/08/2009


Denúncias contra Sarney são arquivadas

Denúncias contra Sarney são arquivadas. Denúncias contra Sarney são arquivadas. Foto: Marcello Casal Jr/ABr Não adiantou a pressão da oposição. Nesta sexta-feira, o presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), decidiu pelo arquivamento de mais sete denúncias contra José Sarney. No total, 11 acusações contra o presidente do Senado, e uma contra Renan Calheiros (PMDB-AL), foram arquivadas.

Duque arquivou três representações  feitas pelo PSDB, uma pelo PSOL, uma feita por Arthur Virgílio (PSDB-AM), além de outras duas feitas pelo tucano junto com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Nesta quarta-feira, o presidente do Conselho de Ética arquivou quatro representações contra Sarney e uma contra Calheiros. Para justificar o arquivamento, Duque afirmou que as denúncias não tinham como ser provadas, e que se tratavam apenas de “recortes de jornais”.

11/08/2009

lei antifumo

Aprovada no início de abril deste ano pela Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionada em maio pelo governador José Serra (PSDB), a chamada lei antifumo entrou em vigor nesta sexta-feira (7) e proíbe o uso de cigarro e derivados de tabaco em áreas fechadas de uso coletivo, como bares, restaurantes, casas noturnas, escolas, ambiente de trabalho, museus, shoppings, lojas, repartições públicas e táxis.

O uso de tabaco e derivados é permitido dentro de casa –mas não em áreas comuns de condomínios–, em vias públicas e áreas ao ar livre, em tabacarias e em cultos religiosos, caso faça parte do ritual. O governo também liberou o uso de cigarros em peças de teatro.

O fumante não será punido, mas pode ser obrigado a deixar o local. A multa fica para o proprietário do estabelecimento. O valor é de R$ 792,50 no primeiro flagrante. Em caso de reincidência, a multa sobe para R$ 1.585. Caso o estabelecimento seja flagrado pela terceira vez, terá o alvará suspenso por 48 horas; na quarta vez, a interdição será de um mês.

A lei acaba com os fumódromos em estabelecimentos comerciais e ambientes de trabalho. De acordo com o governo do Estado, a lei não prevê áreas exclusivas para fumantes porque elas não impedem a circulação da fumaça e, com isso, as pessoas continuam expostas aos males do cigarro.

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

Mais de 33 mil adolescentes serão assassinados entre 2006 e 2012, prevê o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência), divulgado nesta terça-feira pelo governo federal, Unicef e Observatório de Favelas. De acordo com o estudo, de cada mil adolescentes que completam 12 anos no Brasil, 2,03 são mortos por homicídio antes de completar 19 anos. Foram analisados dados de 2006 de 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.

A cidade de Foz do Iguaçu (PR) lidera o ranking de mortes violentas entre adolescentes, com 9,7 mortes para cada grupo de mil adolescentes, segundo estudo, que tem como base dados de 2006. Em seguida vem Governador Valadares (MG), com 8,5 mortes e Cariacica (ES), com 7,3 mortes.

Entre as capitais, Maceió (AL) e Recife (PE) apresentam os piores números, com 6 mortes para cada mil adolescentes cada. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 4,9 mortes. A cidade de São Paulo ocupa o 24º lugar entre as capitais com 1,4 morte a cada mil jovens.

Em números absolutos, porém, a capital paulista tem o segundo maior número de mortes de adolescentes entre as capitais, com 1.992 mortes, atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro, que tem 3.423 mortes.

De 21 de julho de 2009.

O vírus H1N1 já matou mais de 700 pessoas em todo o mundo desde que surgiu, em abril, e os países deveriam considerar a suspensão das atividades escolares para controlar sua difusão, disse na terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Há duas semanas, a estimativa da OMS era de 429 mortos. A agência salientou que cabe às autoridades nacionais decidirem quais medidas tomarem.

Em artigo publicado na segunda-feira na revista Lancet Infectious Diseases, pesquisadores britânicos disseram que os governos precisam preparar planos sobre quando e como fechar escolas em caso de agravamento da epidemia da dita gripe suína.

O fechamento de escolas é uma das medidas de mitigação que poderiam ser consideradas pelos países“, disse a porta-voz da OMS Alphaluck Bhatiasevi a jornalistas.

Como a OMS tem dito, diferentes países estariam enfrentando a pandemia em diferentes níveis e em diferentes momentos. Então realmente cabe aos países considerarem quais medidas de mitigação são adequadas.

A agência sanitária da ONU, que declarou situação de pandemia do H1N1 em 11 de junho, disse na semana passada que esta é a pandemia de mais rápido avanço na história, e que agora já não faz sentido contabilizar cada caso  a prioridade agora deve ser nas medidas de mitigação e na localização de padrões aberrantes de transmissão, ou de picos nas taxas de abstenção ao trabalho.

A despeito da nova orientação, Bhatiasevi disse à Reuters que até terça-feira cerca de 125 mil casos haviam sido confirmados em laboratório.

A OMS também coordena um grupo de matemáticos, epidemiologistas e virologistas que tenta estabelecer projeções a respeito de medidas baratas e eficazes que os países poderiam adotar, segundo a porta-voz.

O que é gripe A (H1N1)?
É uma doença aguda respiratória altamente contagiosa entre seres humanos, que leva a um quadro de infecção respiratória. Embora ainda não esteja comprovado, acredita-se que o vírus tenha vindo de uma série de mutações originadas em porcos.

Quais os sintomas?

  • Febre alta (acima de 38ºC)
  • Falta de apetite
  • Dores musculares espalhadas por várias partes do corpo
  • Indisposição
  • Tosse
  • Vômito e diarréia
  • Falta de ar nos casos mais avançados
  • Dor de garganta (pode ser aparente ou não)

Se suspeitar da gripe A (H1N1), devo procurar um posto de saúde ou um dos hospitais de referência?

Procure a unidade de saúde mais próxima, onde será examinado. Se houver suspeita de contaminação pela gripe A (H1N1), com base na análise clínica e na investigação sobre a possibilidade de exposição ao vírus, poderá ser encaminhado a um hospital de referência. Dependendo da gravidade dos sintomas, o paciente pode ser mantido em casa, bob monitoramento.

Há tratamento para influenza A (H1N1) disponível?

Sim. Há um medicamento antiviral indicado pela OMS e disponível na rede pública de saúde que será usado apenas por recomendação médica, a partir de um protocolo definido pelo Ministério da Saúde. O remédio sói faz efeito se for tomado até 48 horas a partir do início dos sintomas.

O que posso fazer para reduzir as chances de contaminação?

Use mascaras cirúrgicas descartáveis durante a permanência na área de risco. Ao tossir ou respirar, cubra o nariz e a boco com um lenço, preferencialmente descartável. Evite lugares com aglomeração de pessoas e contato direto com pessoas doentes. Não compartilhe alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal e evite tocar olhos, nariz ou boca. Lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar. Fique atento, ainda, às medidas preventivas recomendadas pelas autoridades locais das áreas afetadas.

Com a aproximação dos meses de inverno e a temperatura caindo, há maior risco de disseminação da gripe A (h1N1) no estado?

Sim. O risco de disseminação do vírus aumento com o frio, como o de qualquer outra gripe. È importante que todos procurem se alimentar bem, dormir bem, usar agasalho para se proteger do frio e evitar ambientes fechados com grande aglomeração de pessoas.

Existe vacina contra a gripe A (H1N1)?

Até o momento, não. Está em estudo a elaboração de uma vacina eficaz.

Alguém já morreu no Brasil devido à pandemia?

Sim.

Se eu tomar a vacina contra a gripe comum, ela vai aumentar minhas defesas contra o vírus da influenza A (H1N1)?

Ninguém deve tomar medicamento sem indicação médica. A automedicação pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico e até causar resistência ao vírus.

Em quanto tempo, a partir da transmissão, os sintomas aparecem?

Os sintomas podem iniciar no período de 3 a 7 dias após contato com esse novo subtipo do vírus e a transmissão ocorre principalmente em locais fechados.

Por que a gripe mata?

A pessoa pode morrer do próprio vírus, mas a morte pode ser causada por infecções bacterianas secundárias, que surgem porque o organismo fica debilitado com a gripe. É o caso da pneumonia, que pode levar a uma insuficiência respiratória.

Como será recebido o cidadão que procurar a rede privada de saúde?

A pessoa que apresentar sintomas relacionados à influenza A (H1N1) e tiver tido contato com paciente com caso confirmado deve procurar uma unidade de saúde mais próxima, seja ela pública ou privada. No local, o profissional de saúde que o atender terá condições de fazer uma avaliação e, se considerar pertinente, encaminhar a pessoa para um hospital de preferência público definido pela Secretária estadual de Saúde, no qual o paciente terá acesso a exames e ao tratamento, o que inclui medicamentos.

Como posso obter mais informações sobre a doença?

O disque saúde (0800 61 1997) presta esclarecimentos sobre a doença causada pelo vírus A (H1N1). Cerca de 4,3 milhões de panfletos trilíngue (português inglês e espanhol) estão sendo distribuídos com as principais informações para viajantes em todos os aeroportos do país. O site do Ministério da Saúde também disponibiliza informações sobre a doença.

19/07/2009

Funcionários e professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram acabar com a greve na instituição em assembleias realizadas nesta terça-feira. Funcionários e professores estavam parados desde 5 de maio e 5 de junho, respectivamente.

O Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp) optou pelo fim da greve por volta das 17h durante encontro que reuniu cerca de 300 pessoas. A decisão foi tomada por aclamação, apesar dos oito votos contrários e sete abstenções.

Já na assembleia da Associação dos Docentes da USP (Adusp), po volta das 19h os professores definiram pelo fim da paralisação. A decisão teve apenas dois votos contra e quatro abstenções. As atividades normais serão retomadas nesta quarta-feira.

Segundo o dirertor de base do Sintusp, Magno de Carvalho, 62 anos, o reajuste concedido pela reitoria foi de 6,05%, além de auxílio-alimentação retroativo ao mês de maio para unidades em que não há restaurantes universitários.

Entre outras conquistas, o sindicalista afirmou ter conseguido um subsídio inédito para a categoria. Trata-se de uma verba mensal de R$ 400 para filhos de funcionários da instituição que tenham necessidades especiais.

Outra vitória obtida pelo Sintusp foi a suspensão do vestibular da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), que aconteceria no mês de agosto e agora somente poderá ser realizado em 2010. Até lá, os membros do movimento grevista esperam derrubar a lei que autoriza o ensino a distância. “Foi uma vitória parcial, faltou a mobilização maior de outras universidades”, disse Magno.

Os grevistas reivindicam também a readmissão do funcionário Claudionor Brandão e o fim de processos administrativos contra alunos e funcionários, mas em relação a estes temas ainda não houve mudança no posicionamento da reitoria.

Em nota, a reitoria da USP informou que foi estabelecido um acordo com a comissão de greve que diz respeito ao atendimento de reivindicações da pauta específica dos servidores. Entre elas, incluem-se reajustes nos benefícios oferecidos pela instituição, criação do Auxílio Educação Especial – destinado a dependentes portadores de necessidades especiais -, além da instalação de comissão formada por representantes da reitoria e dos servidores, que tratará de temas específicos relacionados à área de saúde.

O acordo prevê também, conforme o comunicado, que haverá reposição dos dias parados na forma de trabalho-atividade e, em função disso, não haverá desconto desses dias.

O que querem os alunos que ocupam o prédio da reitoria?

Desde o dia 3 de maio, estudantes da USP (Universidade de São Paulo) ocupam o prédio da reitoria (invadiram e expulsaram os funcionários). O que no início era uma manifestação contra o decreto do governador José Serra que limitaria a autonomia da Universidade, nesta quinta-feira, 17, ganhou caráter de greve – após assembléia na noite do dia 16 com 2 mil alunos (número divulgado pelos próprios estudantes grevistas). Aproveitando o ensejo, os funcionários da USP também aderiram à greve, reivindicando aumento de salário.

Não se sabe exatamente quantos alunos são a favor da greve, mas a maioria é contra a ocupação do prédio da reitoria, como declarou oficialmente o Diretório Central dos Estudantes (DCE), e congregações de várias unidades e institutos da USP – como a Escola de Engenharia de Lorena, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, a Faculdade de Educação, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Medicina Veterinária e Zootecnia, Odontologia, Odontologia de Bauru, o Instituto de estudos Avançados, Instituto de Geociências, Instituto de Química de São Carlos e a Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto.

A decisão de greve, no entanto, pareceu descabida para a reitoria da USP – que alega estar flexível a negociações, além do fato do governador ter voltado atrás em vários pontos de seu decreto. Quem está fazendo declarações representando a USP é a assessora de imprensa da IES, Márcia Avanza. “Num primeiro momento, a USP estranhou o decreto do governador, mas foram questões que – a partir do diálogo – estão se resolvendo. O governador voltou atrás em diversos pontos, e outros estão em discussão. Por enquanto, a autonomia da USP não está em risco”, explicou Márcia. Segundo ela, neste primeiro dia que a greve foi anunciada, as aulas estavam correndo normalmente, e seriam poucos os alunos que teriam aderido à greve. “O que não está funcionando é aquilo que depende do aval da reitoria, cujos funcionários foram impedidos de trabalhar por conta dos alunos – como certificado de defesa de tese e aprovação de férias”, explicou.

Os estudantes da USP elaboraram pauta reivindicando 14 itens, os principais deles são: aumento das moradias estudantis, contratação de professores, reformas nos prédios e a declaração oficial da reitora, Sueli Villela, com um posicionamento claro a respeito do decreto de Serra.

A USP já cedeu em alguns deles, como o da moradia estudantil. Enquanto os estudantes pediram 598 novas vagas, a reitora aceitou construir 304 (198 no campus de São Paulo, 68 em São Carlos, e 68 em Ribeirão Preto), o que foi insuficiente na visão dos alunos. Além disso, nesta quinta-feira, 17, foi publicado na Folha de S. Paulo, artigo da reitora com seu posicionamento a favor da autonomia da Universidade. Quanto à contratação de novos professores, nesta quarta-feira, 16, a USP divulgou a aprovação, pela Assembléia Legislativa de São Paulo, o Projeto de Lei Complementar 32/2006, que prevê a criação de 1.900 cargos de professor doutor para a universidade. O projeto, encaminhado em 2006 pelo então governador do Estado, Cláudio Lembo, foi votado e aprovado na terça-feira, dia 15. Não fica claro no texto, no entanto, quantos desses 1900 cargos prevêem a contratação de novos professores e não a regulamentação de docentes hoje no cargo de “professor assistente”, já que a lei prevê a extinção de 1567 cargos de Professor Assistente.

O Universia entrou em contato com a comissão de comunicação do grupo organizador da ocupação – eles estão dentro da reitoria usando o telefone de lá – e conversou com um dos membros, Apoena Canuto, 21 anos, do terceiro ano de História. Segundo ele, a reitora não trata diretamente do decreto de Serra nem em seu artigo na Folha, nem em qualquer outro. “A gente quer um posicionamento oficial especificamente sobre o decreto, que não foi revogado. Sem revisão do decreto, a USP continua subordinada a um regime de perda de autonomia, o que significa que mensalmente teremos de fazer pedidos de verbas, não só publicar os gastos como é feito hoje. Isso dificultaria compra de materiais básicos para a IES e a realização de pesquisas alternativas, ou seja, perderemos liberdade científica”, afirmou. Além disso, segundo Canuto, os 1900 cargos anunciados são, na realidade, a regularização dos cargos de professores que já estão na universidade e não a contratação de novos.

Luciana Scuarcialupi, 25 anos, estudante do último ano de Ciências Sociais da USP que não está participando da greve, acredita que, apesar do movimento ser legítimo, não funciona, é uma ferramenta desgastada. “O problema é que não se toca em um ponto primordial – o conceito de uma universidade pública. A gente está defendendo os nossos direitos e, na realidade, é uma minoria que estuda na USP. Como discutir autonomia de uma instituição que no fundo não é pública, pois não é acessível a qualquer pessoa? A gente já fere de antemão o princípio da universidade pública”, afirma.

Nesta quinta-feira, 17, foi entregue aos estudantes um ofício de reintegração de posse da Reitoria. O documento comunica que, por decisão da 13ª Vara da Fazenda Pública, o grupo de invasores deveria deixar o prédio imediatamente. Os estudantes não quiseram assinar o documento, que foi lido pelos oficiais de Justiça.

A recusa em deixar o local poderá implicar numa retirada à força – numa operação semelhante às que são realizadas em reintegrações de posse de locais invadidos por sem-teto, por exemplo. No entanto, o clima entre os estudantes parece ser de descrença quanto a uma eventual operação policial dentro dos limites da USP.

18/06/2009

A seleção brasileira de Dunga, que hoje, às 11h, enfrenta os EUA pela segunda rodada da Copa das Confederações, em Pretória, está muito longe de ser um time seguro na defesa, como mostrou contra o Egito na jornada de abertura.

Os três gols marcados pelo time africano escancararam que, quando o goleiro Júlio César não está inspirado ou a sorte não está ao lado dele, o time nacional tem potencial para ser uma verdadeira peneira.

Isso porque Dunga é, entre os últimos treinadores do Brasil, o que comanda o time que mais vezes é bombardeado pelas equipes adversárias.

Nos jogos das eliminatórias, a média de finalizações sofridas pela seleção brasileira, segundo o Datafolha, está em 14,9 por jogo –nos confrontos do segundo turno, fica em 18,4. O Egito teve 11 chances para balançar as redes. E todos esses números ficam muito acima do histórico da equipe nacional.

Na campanha do tetra, com Parreira no comando e Dunga no meio-campo, os rivais finalizavam, em média, só 6,6 vezes por jogo à meta de Taffarel.

Nas eliminatórias para o Mundial de 2006, esse número ficou em 9,7. E até na caótica classificação para a Copa de 2002, obtida apenas na última rodada, os goleiros brasileiros não precisavam trabalhar tanto como faz hoje Júlio César -aquele time sofria, em média, 10,2 conclusões por partida.

Para evitar uma nova catastrófica atuação defensiva como no jogo contra o Egito, Dunga diz que sua equipe precisa de cautela e colocar o ataque em segundo plano quando estiver em vantagem no placar.

“Quando estávamos com 3 a 1 a nosso favor, na ansiedade de buscar o gol, nós nos expomos demais. O certo era ficarmos mais no nosso campo, atraindo o Egito”, declarou Dunga, que afirma não temer críticas por mandar o time jogar na defesa.

“São visões diferentes. A minha é a de alguém comprometido com o resultado. Os comentaristas não têm esse compromisso”, falou o treinador, ontem bem mais contido na entrevista obrigatória realizada pela Fifa nas vésperas dos jogos da competição sul-africana.

Os comandados de Dunga, como é praxe, repetiram o discurso do treinador.

“Nosso time ataca muito, e às vezes a defesa fica desprotegida. Precisamos ter mais cautela”, analisou o zagueiro Miranda, que deve ir a campo hoje no lugar do poupado Juan.

No lado norte-americano, a fragilidade defensiva brasileira é vista como uma chance de reação –o time perdeu na estreia para a Itália por 3 a 1.

O técnico Bob Bradley declarou que sua seleção deve aproveitar o espaço deixado pelos laterais brasileiros. O meia-atacante Landon Donovan, o maior destaque da equipe, diz não considerar a seleção brasileira um bicho-papão.

“Vimos o jogo do Brasil contra o Egito e, para ser honesto, eles pareceram humanos.”

O Brasil pode garantir já hoje a sua passagem para as semifinais da Copa das Confederações. Para isso, precisa vencer os norte-americanos e torcer para que a Itália some no máximo um ponto contra o Egito, às 15h30, no outro jogo da chave.